07 Abr 2026 - 13h46
Garantir uma alimentação adequada para os filhos é um desejo comum entre pais e mães — e, em Brumado, esse cuidado já faz parte da rotina de mais de 9 mil alunos da rede municipal de ensino. Diariamente, mais de 30 mil refeições são servidas nas unidades escolares, que funcionam em tempo integral tanto na zona urbana quanto na zona rural.
Mais do que matar a fome, a alimentação é tratada como parte essencial do processo educativo. Crianças bem nutridas desenvolvem melhor suas habilidades motoras e cognitivas, além de fortalecerem vínculos afetivos, já que o momento das refeições também promove convivência e socialização.
A jornada alimentar dos estudantes começa cedo. Antes mesmo das 7h, o café da manhã já está servido: leite com café ou achocolatado quentinho, acompanhados de pão, cuscuz, bolo ou aipim, por exemplo. No recreio, frutas, sucos ou iogurtes garantem um lanche leve e nutritivo. Ao meio-dia, o almoço chega colorido e balanceado, com arroz, feijão, verduras, legumes e proteínas. E, ao longo da tarde, antes do encerramento das atividades, uma pré-janta reforça a nutrição dos alunos, garantindo que ninguém volte para casa de estômago vazio.

Todo esse trabalho é coordenado pela nutricionista Marbele Pereira, que destaca o cuidado em cada etapa do processo. “É um processo muito delicado, seguimos um rigoroso processo de produção, armazenamento, transporte e distribuição das refeições garantindo que esse alimento chegue aos nossos alunos de forma segura. Além disso, o cardápio é planejado cuidadosamente equilibrando nutrição e a cultura alimentar regional para que os estudantes tenham prazer em se alimentar bem”, afirmou Marbele.
A estrutura por trás desse sistema envolve uma equipe de 113 profissionais. Parte desse grupo inicia o dia ainda de madrugada, por volta das 4h, na Cozinha Industrial Escolar Joselita Menezes Machado, localizada no Complexo Carmen Risério. É lá que são preparadas as refeições destinadas às escolas da sede, que seguem para as unidades por volta das 6h, em recipientes adequados para manter a temperatura e a qualidade dos alimentos.
Já nas escolas da zona rural, as refeições são preparadas nas próprias unidades, que contam com cozinhas equipadas e equipes capacitadas. Nas creches municipais, o cuidado é ainda mais específico: as refeições são adaptadas às necessidades dos bebês, respeitando fases como a introdução alimentar e diferentes texturas.
O trabalho, no entanto, não termina quando a comida chega ao prato dos alunos. Há um rigoroso monitoramento diário, com armazenamento de amostras das refeições por até 72 horas, garantindo rastreabilidade em caso de qualquer intercorrência. Além disso, são analisadas as sobras, tanto as descartadas quanto as que permanecem nos recipientes, permitindo avaliar a aceitação dos alimentos e evitar desperdícios.
“Temos uma responsabilidade muito grande porque o recurso destinado à alimentação escolar é um direito das crianças e adolescentes e levamos muito a sério. Comida é algo sagrado, buscamos entender o que ocorre quando sobra comida ou quando há algum tipo de rejeição dos alunos a algum alimento. O tempo todo estamos avaliando nossa produção”, conta.
Alunos com restrições alimentares também recebem atenção especial. A partir da apresentação de laudos médicos pelas famílias dos alunos, a escola, junto à equipe responsável, organiza refeições específicas, assegurando inclusão e cuidado individualizado.